19 de jul. de 2026

Quando a escola virou dos estudantes

 

Quando a escola virou dos estudantes 

Imaginar a sua escola fechada de uma hora para a outra, com salas superlotadas no colégio vizinho e sem diálogo com quem estuda lá. Parece um pesadelo, certo? Pois esse era o plano em São Paulo em 2015. O que impediu essa destruição foi a uma mobilização que provou que, quando os estudantes se organizam, os governos recuam.


O plano para fechar escolas

O governo estadual anunciou uma "reorganização" que pretendia fechar 94 escolas públicas e transferir mais de 300 mil alunos sem consultar ninguém. Isso era assustador.

O roubo da merenda

Para piorar, estourou a "Máfia da Merenda", um esquema de corrupção que desviava dinheiro dos pratos dos estudantes. A infraestrutura estava caindo aos pedaços e a comida estava péssima.

A conquista das escolas

Diante das portas fechadas do diálogo, os secundaristas decidiram abrir as portas das próprias escolas por conta própria. Entre 2015 e 2016, mais de 200 colégios foram ocupados em todo o Estado de São Paulo.

Não eram invasões; eram ocupações autogeridas. Os estudantes cuidaram de suas escolas como gostariam que elas fossem cuidadas.

Dividiam as tarefas de faxina e faziam a própria comida. Organizavam aulas abertas de artes, debates políticos e oficinas. A população, pais e professores doavam alimentos e apoiavam a resistência.

Os estudantes mostraram que sabiam cuidar da escola muito melhor do que o governo.

A batalha na justiça: mais democracia

O impacto foi grande. A Justiça tratava ocupações como "crime de invasão de propriedade". Mas os secundaristas mudaram essa história.

Ao verem adolescentes protegendo suas escolas, juízes e desembargadores de São Paulo reconheceram que a ocupação não era um crime, mas sim um direito legítimo de manifestação e desobediência civil contra um governo autoritário. Foi uma quebra histórica de padrão.

A vitória estratégica

A luta organizada funcionou. Pressionado pelas ocupações e pela opinião pública favorável, o governo estadual sofreu uma derrota histórica:

O projeto de fechamento das escolas foi totalmente cancelado.

O Secretário da Educação caiu do cargo devido à pressão.

A ocupação da Assembleia Legislativa forçou a abertura da CPI da Merenda.

Se a sua escola pública está aberta hoje, se você tem o seu espaço de estudo garantido e se a comunidade tem voz dentro do colégio, é porque os estudantes de 2016 evitaram uma derrocada total da educação pública paulista.

O Aprendizado

O governo tentou de tudo depois: usou violência policial e criou pareceres jurídicos para tirar os estudantes à força das escolas sem precisar de autorização de juiz.

Mas o recado da Primavera Secundarista já estava dado: a escola pública pertence a quem nela estuda, trabalha, vive e constrói: estudantes e educadores. Mudar a realidade não é esperar a boa vontade dos governantes; é se organizar com quem está na carteira ao lado.

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