Quando a escola virou dos estudantes
Imaginar a sua escola fechada de uma hora para a outra, com salas superlotadas no colégio vizinho e sem diálogo com quem estuda lá. Parece um pesadelo, certo? Pois esse era o plano em São Paulo em 2015. O que impediu essa destruição foi a uma mobilização que provou que, quando os estudantes se organizam, os governos recuam.
O plano para fechar escolas
O governo estadual anunciou uma "reorganização"
que pretendia fechar 94 escolas públicas e transferir mais de 300 mil alunos
sem consultar ninguém. Isso era assustador.
O roubo da merenda
Para piorar, estourou a "Máfia da Merenda", um
esquema de corrupção que desviava dinheiro dos pratos dos estudantes. A
infraestrutura estava caindo aos pedaços e a comida estava péssima.
A conquista das escolas
Diante das portas fechadas do diálogo, os secundaristas
decidiram abrir as portas das próprias escolas por conta própria. Entre 2015 e
2016, mais de 200 colégios foram ocupados em todo o Estado de São Paulo.
Não eram invasões; eram ocupações autogeridas. Os estudantes
cuidaram de suas escolas como gostariam que elas fossem cuidadas.
Dividiam as tarefas de faxina e faziam a própria comida. Organizavam
aulas abertas de artes, debates políticos e oficinas. A população, pais e
professores doavam alimentos e apoiavam a resistência.
Os estudantes mostraram que sabiam cuidar da escola muito
melhor do que o governo.
A batalha na justiça: mais democracia
O impacto foi grande. A Justiça tratava ocupações como
"crime de invasão de propriedade". Mas os secundaristas mudaram essa
história.
Ao verem adolescentes protegendo suas escolas, juízes e
desembargadores de São Paulo reconheceram que a ocupação não era um crime, mas
sim um direito legítimo de manifestação e desobediência civil contra um governo
autoritário. Foi uma quebra histórica de padrão.
A vitória estratégica
A luta organizada funcionou. Pressionado pelas ocupações e
pela opinião pública favorável, o governo estadual sofreu uma derrota
histórica:
O projeto de fechamento das escolas foi totalmente
cancelado.
O Secretário da Educação caiu do cargo devido à pressão.
A ocupação da Assembleia Legislativa forçou a abertura da
CPI da Merenda.
Se a sua escola pública está aberta hoje, se você tem o seu
espaço de estudo garantido e se a comunidade tem voz dentro do colégio, é
porque os estudantes de 2016 evitaram uma derrocada total da educação pública
paulista.
O Aprendizado
O governo tentou de tudo depois: usou violência policial e
criou pareceres jurídicos para tirar os estudantes à força das escolas sem
precisar de autorização de juiz.
Mas o recado da Primavera Secundarista já estava dado: a
escola pública pertence a quem nela estuda, trabalha, vive e constrói:
estudantes e educadores. Mudar a realidade não é esperar a boa vontade dos
governantes; é se organizar com quem está na carteira ao lado.
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